Desde a reabertura do Bolhão, em setembro de 2022, após as obras de restauro e modernização, cerca de 70% dos comerciantes históricos mantêm-se em atividade no mercado de frescos. Para a GO Porto, responsável pela gestão do equipamento municipal, "o número evidencia a continuidade de um grupo que tem marcado a identidade do espaço ao longo dos anos" e que reforça a vontade de que "parem de dizer mal do Mercado do Bolhão", cita, hoje, um artigo do JN. A reação dos comerciantes surge em sequência de uma notícia publicada sobre o fecho de algumas bancas, resultado de circunstâncias do foro pessoal.
A empresa municipal sublinha que o Bolhão "representa diferentes perfis de comerciantes, com necessidades e opiniões diversas, sendo papel da GO Porto conciliar esses interesses, assegurando a viabilidade dos negócios e um equilíbrio entre as várias posições".
Frisando que "os comerciantes históricos sempre desempenharam, e continuam a desempenhar, um papel essencial na identidade do Mercado", a entidade gestora recorda que o "trabalho de proximidade com estes operadores remonta ao período anterior às obras de restauro e modernização". Entre as medidas adotadas para assegurar a sua continuidade destacam-se a criação do Mercado Temporário do Bolhão, apoios financeiros e indemnizações durante as obras, manutenção das rendas, possibilidade de transmissão de licenças a familiares e outros direitos associados.
"Graças a estas medidas, a permanência dos históricos continua a ser expressiva: representam hoje 69% da ocupação do Bolhão", refere a GO Porto.
Relativamente à saída de algumas bancas históricas de vegetais, a empresa esclarece que são resultado "de circunstâncias do foro pessoal, alheias à gestão e à viabilidade do negócio no Bolhão". Já a salsicharia referida na notícia, "não deixou o Mercado, mas passou por uma reformulação estratégica da própria banca, com a alteração da designação comercial do negócio".
Refira-se, ainda, que a revisão do regulamento do Mercado "é tratada como prioridade pela empresa municipal GO Porto", estando, neste momento, a ser discutida em conjunto com o grupo de comerciantes, constituído de forma espontânea. O acompanhamento do Mercado, garante a GO Porto, "inclui diálogo regular, com o objetivo de adaptar o Regulamento às necessidades atuais, três anos após a reabertura do espaço".
A entidade gestora mantém reuniões regulares com os comerciantes com o objetivo de "manter uma escuta ativa e assegurar a equidade entre todos os operadores económicos do Mercado". No novo regulamento e para além dele, a GO Porto está a trabalhar em medidas adicionais para reforçar este enquadramento e adaptar as regras à realidade atual do Bolhão. A aplicação do regulamento e da legislação em vigor é acompanhada pela gestão, com intervenção sempre que se identificam situações que exigem ajustes ou correções.